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O resgate e a valorização da cultura indígena para além do Dia 19 de abril

O resgate e a valorização da cultura indígena para além do Dia 19 de abril

Colégio Paraíso promove atividades curriculares imersivas que integram a língua, os costumes e as tradições da cultura indígena.

  • 17/04/2019


A influência da cultura indígena espalha-se pelo Brasil de Norte a Sul, de Leste a Oeste. Seus traços estão presentes na pele das pessoas, suas palavras na língua falada e escrita, sua simbologia nas tradições e nos costumes do país. Embora uma das principais características da identidade da população brasileira seja a miscigenação, a herança indígena é uma marca singular e distinguível da personalidade desse povo.

Neste 19 de abril, data em que se comemora o Dia do Índio no Brasil, o Colégio Paraíso reafirma a importância dos povos da floresta para à sociedade, incluindo nas atividades curriculares da Escola saberes originários na cultura indígena.

É verdade que toda escola tem a obrigação, lei 11.645/2008, de ensinar sobre a cultura indígena, porém a proposta aqui apresentada de construção desses conhecimentos no Colégio Paraíso vai além: proporcionando aos estudantes experiências significativas para que eles possam imergir no universo indígena.

Para tanto, os educandos de diferentes séries estão tendo a oportunidade de participar de atividades cotidianas típicas dos aborígenes, onde são transmitidos valores singulares, como o respeito e o cuidado com a natureza; significados, por exemplo, a origem e o emprego de palavras; e técnicas empregadas na fabricação de objetos diversos e na expressão cultural. Uma forma de ensinar agregando elementos que, de fato, contribuam para o aluno compreender a relevância social de estar aprendendo sobre isso.

“Estamos incentivando o autoconhecimento da cultura para que os estudantes percebam-se como parte de um povo, que tem os índios como um dos principais grupos formadores”

- explica Roberta Farias, coordenadora pedagógica no Ensino Fundamental e uma das principais entusiastas com a forma em que a cultura indígena está sendo ensinada.

Aprendizagem mão na massa

Até o momento, os estudantes já tiveram aulas de educação artística, explorando o grafismo em telhas, tijolos e vasos de cerâmicas, técnicas de pintura corporal e tecelagem, além de criação de máscaras; participaram das aulas de Educação Física que incluem os jogos indígenas como prática esportiva, atividade permanente da escola; além das as aulas de História e Linguagens e Códigos, em que foram realizadas pesquisas etnográficas sobre os povos indígenas e busca de informações sobre possíveis descentes dos Índios Kariris, etnia local, praticamente, dizimada. Daí, tamanha a importância dessa pesquisa.

Em cada aula é dado amplo espaço para que os estudantes junto aos educadores possam compreender, efetivamente, a cultura indígena e porque a estudam, além de colocar a mão na massa para experienciar esse universo, que embora pareça desconhecido, não está tão distante da realidade de cada um deles.

No grafismo, por exemplo, atividade bastante aceita por explorar a ludicidade, os estudantes se dão conta que as formas, geralmente, reproduzidas pelos índios são mais comuns do que parecem.

“O grafismo é uma forma dos indígenas representarem a cultura deles, desenhando árvores, dentes e o que eles veem”

- conta Sara Luna Landim, 3º ano do Ensino Fundamental, que desenhou em um vaso de cerâmica formas semelhantes às feitas pelos índios em seus utensílios.

O educador Mauro Peixoto orienta os estudantes, durante as aulas de educação artística sobre os povos indígenas. Para ele, a arte cumpre papel indispensável na mediação desses conhecimentos. “Através da arte as crianças podem experienciar a cultura indígena de forma lúdica, descobrindo quais influências desse universo permanecem no nosso dia a dia”, explica. “Elas precisam desse contato com as raízes históricas e culturais do nosso país para que possam valorizar a cultura daqueles que foram os primeiros a ocupar essa terra”, completa Mauro, lembrando da ancestralidade do povo Brasileiro.

Ano Internacional das Línguas Indígenas

A ancestralidade indígena do povo brasileiro é, sem dúvida, uma questão chave para estudar e compreender esse meio. Uma compreensão que deve e passa, inclusive, pelo genocídio de algumas etnias e, consequente, perdas históricas e culturais dos povos da floresta, devido aos efeitos da colonização.

Efeitos sentidos até hoje, principalmente quando se trata das muitas línguas indígenas, faladas por muitos no passado, hoje, reduzidas em menos da metade. Motivada pelo desaparecimento dessas línguas, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), elegeu 2019 o Ano Internacional das Línguas Indígenas.

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Estudantes posam para foto, antes da corrida com tora.

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Estudantes reproduzem saberes indígenas diversos, durante as aulas.

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Estudantes aprendem a técnica de trançado para, posteriormente, realizar a tecelagem.

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Objetos típicos da cultura indígena feitos pelos estudantes nas aulas de educação artística.

Em consonância, também, com essa proposta da UNESCO, algumas turmas de estudantes do Colégio Paraíso estão estudando o idioma Tupi-Guarani, visando adquirir vocabulário na língua. As turmas montarão, posteriormente, pequenas histórias para exercitar o idioma, além de um dicionário indígena ilustrado.

Aprendizagem contínua e variada

A contação de histórias também é uma das práticas pedagógicas usadas para que os estudantes possam aprender e compartilhar o aprendizado sobre a cultura indígena com outras pessoas. A proposta, em fase de desenvolvimento, é reunir informações acerca dos índios no Brasil, Ceará e Cariri para montar um memorial em vídeo, contando a história deles.

O desejo de compartilhar e contribuir para o resgate da cultura indígena no dia a dia, também se estende até o teatro. Alguns grupos de educandos estão ensaiando um pequeno espetáculo, inspirado na dança e música dos índios, que será apresentado na festa em homenagem às mães, em maio.

Além do teatro, os estudantes também se arriscaram na literatura de cordel, compondo poemas sobre a cultura indígena que serão impressos em folhetos. Um desses poemas, escrito pela pequena Mariana Gonçalves, do 5º ano do Ensino Fundamental, diz: “Índio, ídolo nosso/ Sua altura eu herdei/ Por isso de te gosto/ Te aprecio como um rei”.

Desde o início de 2019, os estudantes do Colégio Paraíso já aprenderam muito sobre a cultura indígena e seguem em processo de aprendizagem contínua, valorizando-a como parte indissociável da história do Brasil ancestral e contemporâneo. Um aprendizado que já mostra frutos e que pode ser percebido nas palavras da estudante Sara Loyane.

“A cultura indígena está por toda parte. Por isso é importante reconhecê-la e preservá-la no nosso cotidiano. Não apenas no Dia do Índio”.